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Mostrando postagens com marcador Literatura Francesa. Mostrar todas as postagens
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quarta-feira

Lilite

Jules Lemaitre



Deitada num leito de púrpura, a princesa Lilite, filha do rei Herodes, achava-se imersa em graves pensamentos, enquanto a negra Noun agitava sobre o seu rosto um leque de plumas e o gato Astarote dormia aos seus pés.

A princesa tinha quinze anos. Seus olhos eram profundos como uma água de cisterna e sua boca semelhante a uma flor de hibisco.

Pensava em sua mãe, a rainha Mariana, que morrera quando Lilite era ainda muito pequena. Por isto ignorava que seu pai a matara por ciúmes, porém sabia que ele conservava, em um quarto secreto, o corpo da rainha embalsamado com mel e aromas, e que a chorava ainda.



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terça-feira

Pensamentos

Pascal, Blaise


Saibam, ao menos, que religião combatem, antes de combatê-la. Se essa religião se gabasse de ter uma visão clara de Deus e de possuí-lo com clareza e sem véu, seria combatê-la dizer que não se vê nada, no mundo, que a mostre com tal evidência.


Mas, como afirma, ao contrário, que os homens se acham nas trevas e afastados de Deus, que se oculta ao seu conhecimento, sendo mesmo esse Deus absconditus(2) o nome com que se apresenta nas Escrituras, em suma, se trabalha igualmente para estabelecer duas coisas: que Deus estabeleceu na Igreja marcas sensíveis para ser reconhecido pelos que o procurarem sinceramente, e que, no entanto, as cobriu de tal forma que só será percebido pelos que o procurarem de todo o coração, que proveito podem eles tirar, quando, na negligência em que fazem profissão de estar procurando a verdade, exclamam não haver nada que a mostre, de vez que essa obscuridade em que se encontram e que objetam à Igreja não faz senão estabelecer uma das coisas que ela sustenta, sem tocar na outra, estabelecendo assim a sua doutrina, em lugar de arrumá-la?


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sexta-feira

O Cristo do Mar

Anatole France


Naquele ano, vários pescadores de Saint-Valéry afogaram-se no mar. Os corpos, atirados à praia pela maré, foram encontrados de mistura com os restos dos seus barcos, e durante nove dias foram vistos, na trilha montanhosa que conduz à igreja, esquifes carregados nos ombros e acompanhados por viúvas em pranto, sob grandes mantos negros, como as mulheres da Bíblia.

Assim, foram o patrão Jean Lenoël e seu filho Désiré depostos na grande nave, sob a mesma arcada a que haviam pouco antes pendurado, em oferenda à Santa Virgem, um navio com todo o seu massame. Tinham sido homens justos e tementes a Deus, e o abade Guillaume Truphème, vigário de Saint-Valéry, tendo-lhes dado a absolvição, disse em voz lacrimosa:

- Jamais foram depostas em solo sagrado, para aí aguardarem o juízo do Senhor, criaturas mais virtuosas e cristãos mais devotos que Jean Lenoé'1 e seu filho Désiré.


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Theophile Gautier



Ninguém podia compreender qual a doença que ia consumindo lentamente Otávio de Saville. Não se encontrava acamado, conduzia vida regular, nunca um lamento lhe saiu dos lábios; entretanto, definhava a olhos vistos. Examinado pelos médicos, que a solicitude dos parentes o obrigavam a consultar, não acusava nenhum sofrimento determinado, e a ciência não descobria sintoma algum grave. Mas a vida afastava-se dele, fugindo por umas dessas frestas invisíveis, de que, segundo Terêncio, o homem está repleto.

As vezes, uma singular síncope o tornava branco e frio qual mármore. Durante um minuto ou dois, passava por morto, mas logo se reanimava, e Otávio parecia estar despertando de um pesadelo. Fizera uma estação de águas, viajara, mas nem mesmo sob o belo sol de Nápoles obtivera melhores resultados, pois, onde os "lazzaroni" seminus se bronzeavam, Otávio sentira-se gelar.

Voltara, portanto, ao seu apartamento da Rua São Lázaro, e retomara, aparentemente, seus velhos hábitos. Aquele apartamento de solteiro, mobiliado com elegância, com todo conforto, parecia sofrer a influência e o pensamento de quem ali habitava, pois também era triste, apesar do luxo que nele reinava.


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Discurso do Método

René Descartes

INEXISTE NO MUNDO coisa mais bem distribuída que o bom senso, visto que cada indivíduo acredita ser tão bem provido dele que mesmo os mais difíceis de satisfazer em qualquer outro aspecto não costumam desejar possuí-lo mais do que já possuem. E é improvável que todos se enganem a esse respeito; mas isso é antes uma prova de que o poder de julgar de forma correta e discernir entre o verdadeiro e o falso, que é justamente o que é denominado bom senso ou razão, é igual em todos os homens; e, assim sendo, de que a diversidade de nossas opiniões não se origina do fato de serem alguns mais racionais que outros, mas apenas de dirigirmos nossos pensamentos por caminhos diferentes e não considerarmos as mesmas coisas. 


Pois é insuficiente ter o espírito bom, o mais importante é aplicá-lo bem. As maiores almas são capazes dos maiores vícios, como também das maiores virtudes, e os que só andam muito devagar podem avançar bem mais, se continuarem sempre pelo caminho reto, do que aqueles que correm e dele se afastam.  

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Discurso Preliminar sobre o Espírito Positivo

Augusto Comte

1. O conjunto dos conhecimentos astronômicos não deve mais ser considerado isoladamente, como até aqui, mas constituir de ora avante apenas um dos elementos indispensáveis do novo sistema indivisível de filosofia geral que hoje atingiu finalmente sua verdadeira maturidade abstrata, depois de ter sido gradualmente preparado pelo concurso espontâneo dos grandes trabalhos científicos dos três últimos séculos. 


Em virtude desta íntima conexidade, ainda pouco compreendida, a natureza e o destino deste Tratado não poderão ser devidamente apreciados se este preâmbulo imprescindível não for consagrado sobretudo à definição conveniente do verdadeiro e fundamental espírito desta filosofia, cuja instalação universal deve ser, no fundo, o objetivo precípuo de semelhante ensino. Como ela se distingue principalmente pela continua preponderância, a um tempo lógica e científica, do ponto de vista histórico ou social, devo antes de tudo, para melhor caracterizá-la, lembrar de modo sumário a grande lei que estabeleci, em meu Sistema de Filosofia Positiva, sobre a evolução total da Humanidade, lei à qual os nossos estudos astronômicos hão de recorrer com freqüência.


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Caracteres

 Jean de La Bruyère


Devolvo ao público o que ele me emprestou; dele tomei a matéria desta obra; justo é que ao terminá-la, com todo o respeito à verdade de que sou capaz, e que ele me merece, faça-lhe agora esta restituição. Pode mirar-se com alma neste retrato que lhe fiz, tomado do natural; e se reconhecer em si alguns dos defeitos que aponto, corrija-os. É o único fim que se deve ter em vista ao escrever, e também o sucesso com que menos se deve contar.
Mas como os homens não aborrecem o vício, por isso mesmo é preciso não se cansar também de reprová-los: talvez fossem piores se viessem a faltar-lhes censores ou críticos: é isso que faz com que se exorte e se escreva.

O orador e o escritor não saberiam vencer a alegria que têm de ser aplaudidos: mas deviam se envergonhar caso não procurassem, com discursos e escritos, mais do que elogios; além de que a aprovação mais certa e menos equívoca é a mudança de costumes e a reforma daqueles que os lêem ou que os ouvem. Não devemos falar, não devemos escrever, senão para instrução; e se acontecer agradarmos, nem por isso devemos arrepender-nos, quando o sucesso servir para insinuar e tornar aceitáveis as verdades que instruem. 

Quando, pois, escorregarem num livro alguns pensamentos e reflexões que não tenham a veemência, nem a forma, nem a vivacidade de outros, ainda que pareçam incluídos para variar, descansar o espírito, torná-lo mais presente, mais atento ao que se segue, quando não sejam suaves, naturais, instrutivos, acomodados ao simples do povo — que não é permitido desprezar -, pode o leitor condená-los e deve o autor prescrevê-los: eis a regra.
Há outra, que me interessa ver seguida: é não perder de vista o meu título, e pensar sempre.


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O Elixir da Longa Vida

Balzac, Honoré de 

Nos começos da vida literária do autor, um seu amigo, morto há muito tempo, deu-lhe o assunto para este estudo, que mais tarde encontrou numa coleção publicada nos princípios deste século. Segundo as suas conjecturas, trata-se de uma fantasia devida a um tal Hoffman, de Berlim, publicada nalgum almanaque alemão e esquecida pelos editores das suas obras.

A "Comédia Humana", é suficientemente rica de imaginação para que o autor possa confessar um inocente plágio. Não se trata, portanto, de uma dessas brincadeiras à moda de 1850, em que todos os escritores inventavam atrocidades para regalo das meninas da época.
Assim, quando tiverdes chegado ao engenhoso parricídio de D. Juan, tentai adivinhar a conduta que teriam, em circunstâncias mais ou menos semelhantes, as pessoas honestas que, no Século XIX, recebem uma pensão vitalícia sob o pretexto de um catarro ou as que alugam casa a uma velha para o resto dos seus dias. Ressuscitariam essas pessoas os seus providenciais credores?

Por outra, desejaríamos que juizes conscienciosos determinassem o grau de semelhança que pode existir entre D. Juan e os pais que casam os seus filhos na mira de ambicionadas heranças.



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terça-feira

Os Miseráveis

Victor Hugo

O enfoque do autornesta obra é para as instituições políticas e sociais, num romance de estilo narrativo e descritivo que esbanja elegância e riqueza no estilo barroco. Um clássico. Em Os Miseráveis o enfoque do autor é para as instituições políticas e sociais. Os Miseráveis é um romance grandioso no estilo narrativo e descritivo de Hugo, que esbanja a elegância, a riqueza e o fausto do barroco. 


Mas o romântico Hugo transcende os floreios da linguagem recheando essa estrutura estilística de um conteúdo rico e psicologicamente profundo: os movimentos dramáticos da alma humana sacudida por um turbilhão de anseios, sentimentos e emoções. 


É também grandioso pelos personagens intensos e extremados, figuras humanas que como Jean Vayean e o próprio policial Javert, perseverante, obstinado e frio, vivem sob a égide inabalável de princípios e ideais, a ponto de serem quase que sufocados pelas conseqüências emocionais de seus próprios atos.

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sábado

Fedra

Racine


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Manifesto do Surrealismo

André Breton - 1924

Tamanha é a crença na vida, no que a vida tem de mais precário, bem entendido, a vida real, que afinal esta crença se perde.
O homem, esse sonhador definitivo, cada dia mais desgostoso com seu destino, a custo repara nos objetos
de seu uso habitual, e que lhe vieram por sua displicência, ou quase sempre por seu esforço, pois ele aceitou trabalhar, ou pelo menos, não lhe repugnou tomar sua decisão ( o que ele chama decisão! ).

Bem modesto é agora o seu quinhão: sabe as mulheres que possuiu, as ridículas aventuras em que se meteu; sua riqueza ou sua pobreza para ele não valem nada, quanto a isso, continua recém nascido, e quanto à aprovação de sua consciência moral, admito que lhe é indiferente.

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quinta-feira

Madame Bovary - EN

Gustave Flaubert



CHAPTER ONE
We were in class when the head-master came in, followed by a ‘new fellow,’ not wearing the school
uniform, and a school servant carrying a large desk.

Those who had been asleep woke up, and every one rose as if just surprised at his work.
The head-master made a sign to us to sit down. Then, turning to the class-master, he said to him in a low
voice—
‘Monsieur Roger, here is a pupil whom I recommend to your care; he’ll be in the second. If his work and
conduct are satisfactory, he will go into one of the upper classes, as becomes his age.’





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terça-feira

Biografia Allan Kardec

Allan Kardec


Nascido numa antiga família de orientação católica com tradição na magistratura e na advocacia, desde cedo manifestou propensão para o estudo das ciências e da filosofia.

Fez os seus estudos na Escola de Pestalozzi, no Castelo de Zahringenem, em Yverdun, na Suíça[5] (país protestante), tornando-se um dos seus mais distintos discípulos e ativo propagador de seu método, que tão grande influência teve na reforma do ensino na França e na Alemanha. Aos quatorze anos de idade já ensinava aos seus colegas menos adiantados.[6]

Concluídos os seus estudos, o jovem Rivail retornou ao seu país natal. Profundo conhecedor da língua alemã, traduzia para este idioma diferentes obras de educação e de moral, com destaque para as obras de François Fénelon, pelas quais manifestava particular atração.



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domingo

The Count of Monte Cristo - ENG e PT

Alexandre Dumas

Chapter 1


Marseilles - The Arrival

On the 24th of February, 1810, the look-out at Notre-Dame de la Garde signalled the three-master, the Pharaon from Smyrna, Trieste, and Naples.

As usual, a pilot put off immediately, and rounding the Chateau d'If, got on board the vessel between Cape Morgion and Rion island.

Immediately, and according to custom, the ramparts of Fort Saint-Jean were covered with spectators; it is always an event at Marseilles for a ship to come into port, especially when this ship, like the Pharaon, has been built, rigged, and laden at the old Phocee docks, and belongs to an owner of the city.


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O Conde de Monte-Cristo

Um romance do Destino. Vítima e vingador, Edmond Dantés, o personagem
central, encarna ele próprio, o destino.

A história de um homem bom a quem roubam a liberdade e o amor. No
cativeiro trava amizade com o abade Faria, que lhe oferece ajuda para a fuga.
Um homem que regressará coberto de riquezas, vingador impiedoso, para
além de toda a lei humana ou divina.


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sábado

Júlio Verne - Livro A Volta ao Mundo em 80 dias



Júlio Verne nasceu em Nantes em 8 de fevereiro de
1828.

Fugiu de casa com 11 anos para ser grumete e depois marinheiro.
Localizado e recuperado, retornou ao lar paterno.

Em um furioso ataque de vergonha por sua breve e efêmera aventura, jurou solenemente (para a sorte de seus milhões de leitores) não voltar a viajar senão em sua imaginação e através de sua fantasia.


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sexta-feira

Lucien Goldmann - Ciências Humanas e Filosofia

Introdução

Ao iniciar este trabalho, pretendíamos intitulá-lo Introdução aos problemas de método em sociologia do espírito. Ao redigi-lo, percebemos que se centrava no problema das relações das ciências humanas com a filosofia.

Isto, aliás, era óbvio. Se a filosofia é mais do que a simples expressão conceitual das diferentes visões de mundo, se, além de seu caráter ideológico, traz também certas verdades fundamentais concernentes às relações dos homens com os outros homens e com o universo, então estas verdades devem encontrar-se na própria base das ciências humanas e notadamente de seus métodos.

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quinta-feira

Voltaire - Livro Os Ouvidos do Conde de Chesterfield

Pensador profundo, desenvolveu uma filosofia impecável que marcou sua época e nos influencia até

hoje. Voltaire produziu inúmeras obras; em todas se encontram alguns traços constantes.
A peculariedade formal encontra-se na postura crítica. Diplomacia não há nenhuma, sutileza sim, mas
nem tanto. Ironia, irreverência e sarcasmo não flutuam na superfície, atingem raízes. Não perdoa
costumes, religiões, crenças, superstições, raças, governos ou autoridades.

Neste conto Voltaire vai além de escarnecer, investe com virulência.
O texto, basicamente, se desenvolve através de discussões filosóficas entre o padre Goudman, o
médico e anatomista Sidrac e, depois, o senhor Grou. Fazem contraponto cada um com os demais, todos
concordando entre si: é Voltaire apresentando suas concepções através deles.
Defensor ardoroso da liberdade de expressão, talvez até por ter sido tão criticado e perseguido, não
deixou de enfatizar:

Se estivéssemos nos bancos da Escola, argumentaríamos como os personagens de
Rabelais. Se vivêssemos nos séculos de horrendas trevas que envolveram por tanto tempo a
Inglaterra, um de nós dois faria talvez queimar o outro. Estamos num século de razão;
encontramos facilmente o que nos parece a verdade, e ousamos dizê-lo.

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Voltaire - Livro O Touro Branco

Não se conhece muito bem a intenção de Voltaire ao escrever "O Touro Branco". Há hipóteses:
plausíveis, lógicas, mas hipóteses. Uma delas sugere que tenha se inspirado em lendas orientais a respeito
da metamorfose animal.

A mais provável, já que Voltaire sempre se interessou por religiões e mitos, é de que ele teria
coletado, dentre os mitos religiosos orientais, aqueles em que os homens entrassem em contato com aos
animais, mesclando-os com outros. Reuniu, assim, numa comédia animal, a serpente do paraíso, o asno
de Balaão, a baleia de Jonas com as divindades do Egito, igualmente relacionadas a animais,
especialmente o touro-rei.

Mas é o mesmo e inconfundível Voltaire, com seu conhecimento da alma humana, a filosofia
profunda e a ironia impecável. Não é tão irreverente como em outras obras, mas parece não ter resisitido
a sê-lo em algumas oportunidades:

A serpente do paraíso, contestando a sua condenação, retruca:



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Voltaire - Livro O Mundo como está

Em "O mundo como está" temos o mesmo Voltaire irônico e crítico em relação aos costumes de sua
época. Contudo, não é o sarcástico de outras obras. Foi escrito na fase em que ainda lhe restava certo
otimismo e algum sorriso.

Babuc foi encarregado, pelas divindades, representadas por Ituriel, de observar pessoalmente
Persépolis e apresentar um relatório para que os deuses decidissem ou não pela destruição da cidade que
julgavam irremediavelmente contaminada.

Em suas observações demonstra que não é possível distinguir entre defeitos e virtudes como entidades
estanques e opostas, noção já existente há milênios e recuperada por Hegel e Marx, muito mais tarde, sob
o rótulo de "unidade dos contrários"


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Voltaire - Livro O Ingênuo

"O Ingênuo" se insere na onda de indianismo característica de tantos romances que inundaram a
França do século XVIII. De certa forma, contém uma crítica às idéias de J. J. Rousseau sobre o homem
natural. Ingênuo é um hurão honesto e sincero, espantado com as ridículas convenções sociais; mas o
texto conclui o oposto da concepção rousseauniana de volta à natureza.

A obra revela a peculiar sensibilidade crítica de Voltaire. Ataca o clero católico, principalmente os
O Ingênuo jesuítas, em relação aos quais nunca escondeu sua ojeriza. O Papa tampouco passa incólume. Nem deixa
de ironizar os que se submetiam às normas da Igreja por simples temor ou pelo interesse de obter
vantagens.

Há uma diferença na forma de desenvolver as idéias. Voltaire, geralmente, expressou suas concepções
através de um humor mordaz, cáustico e irreverente. Não deixou de fazer isso, mas com parcimônia,
dando ênfase a um estilo dramático em que se mesclam dor e melancolia.


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