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Mostrando postagens com marcador Voltaire. Mostrar todas as postagens
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quinta-feira

Voltaire - Livro Os Ouvidos do Conde de Chesterfield

Pensador profundo, desenvolveu uma filosofia impecável que marcou sua época e nos influencia até

hoje. Voltaire produziu inúmeras obras; em todas se encontram alguns traços constantes.
A peculariedade formal encontra-se na postura crítica. Diplomacia não há nenhuma, sutileza sim, mas
nem tanto. Ironia, irreverência e sarcasmo não flutuam na superfície, atingem raízes. Não perdoa
costumes, religiões, crenças, superstições, raças, governos ou autoridades.

Neste conto Voltaire vai além de escarnecer, investe com virulência.
O texto, basicamente, se desenvolve através de discussões filosóficas entre o padre Goudman, o
médico e anatomista Sidrac e, depois, o senhor Grou. Fazem contraponto cada um com os demais, todos
concordando entre si: é Voltaire apresentando suas concepções através deles.
Defensor ardoroso da liberdade de expressão, talvez até por ter sido tão criticado e perseguido, não
deixou de enfatizar:

Se estivéssemos nos bancos da Escola, argumentaríamos como os personagens de
Rabelais. Se vivêssemos nos séculos de horrendas trevas que envolveram por tanto tempo a
Inglaterra, um de nós dois faria talvez queimar o outro. Estamos num século de razão;
encontramos facilmente o que nos parece a verdade, e ousamos dizê-lo.

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Voltaire - Livro O Touro Branco

Não se conhece muito bem a intenção de Voltaire ao escrever "O Touro Branco". Há hipóteses:
plausíveis, lógicas, mas hipóteses. Uma delas sugere que tenha se inspirado em lendas orientais a respeito
da metamorfose animal.

A mais provável, já que Voltaire sempre se interessou por religiões e mitos, é de que ele teria
coletado, dentre os mitos religiosos orientais, aqueles em que os homens entrassem em contato com aos
animais, mesclando-os com outros. Reuniu, assim, numa comédia animal, a serpente do paraíso, o asno
de Balaão, a baleia de Jonas com as divindades do Egito, igualmente relacionadas a animais,
especialmente o touro-rei.

Mas é o mesmo e inconfundível Voltaire, com seu conhecimento da alma humana, a filosofia
profunda e a ironia impecável. Não é tão irreverente como em outras obras, mas parece não ter resisitido
a sê-lo em algumas oportunidades:

A serpente do paraíso, contestando a sua condenação, retruca:



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Voltaire - Livro O Mundo como está

Em "O mundo como está" temos o mesmo Voltaire irônico e crítico em relação aos costumes de sua
época. Contudo, não é o sarcástico de outras obras. Foi escrito na fase em que ainda lhe restava certo
otimismo e algum sorriso.

Babuc foi encarregado, pelas divindades, representadas por Ituriel, de observar pessoalmente
Persépolis e apresentar um relatório para que os deuses decidissem ou não pela destruição da cidade que
julgavam irremediavelmente contaminada.

Em suas observações demonstra que não é possível distinguir entre defeitos e virtudes como entidades
estanques e opostas, noção já existente há milênios e recuperada por Hegel e Marx, muito mais tarde, sob
o rótulo de "unidade dos contrários"


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Voltaire - Livro O Ingênuo

"O Ingênuo" se insere na onda de indianismo característica de tantos romances que inundaram a
França do século XVIII. De certa forma, contém uma crítica às idéias de J. J. Rousseau sobre o homem
natural. Ingênuo é um hurão honesto e sincero, espantado com as ridículas convenções sociais; mas o
texto conclui o oposto da concepção rousseauniana de volta à natureza.

A obra revela a peculiar sensibilidade crítica de Voltaire. Ataca o clero católico, principalmente os
O Ingênuo jesuítas, em relação aos quais nunca escondeu sua ojeriza. O Papa tampouco passa incólume. Nem deixa
de ironizar os que se submetiam às normas da Igreja por simples temor ou pelo interesse de obter
vantagens.

Há uma diferença na forma de desenvolver as idéias. Voltaire, geralmente, expressou suas concepções
através de um humor mordaz, cáustico e irreverente. Não deixou de fazer isso, mas com parcimônia,
dando ênfase a um estilo dramático em que se mesclam dor e melancolia.


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Voltaire - Livro O Homem Dos Quarenta Escudos

Escreveu o texto numa época (1768) em que surgiam inúmeras teorias propondo novos sistemas para
a economia e agricultura. Voltaire que nutria profunda ojeriza pelos sistemas metafísicos, irritou-se ainda
mais com sistemas formulados para uma área que considerava depender apenas de experiência e bom
senso.

Uma de suas afirmações a respeito é incisiva:

Desconfie, toda a vida, dos testamentos e dos sistemas; já fui vítima deles, como o
senhor. Se os Sólons e Licurgos modernos zombaram do senhor, ainda mais zombaram de
mim os novos Triptólemos; e, não fosse uma pequena herança que me reanimou, teria eu
morrido de miséria.

Sobre a fúria tributária das autoridades, a irreverência é total:
Homens de gênio profundo apresentaram-lhe projetos. Imaginara um lançar impostos
sobre a inteligência.

- Todos - dizia ele - se apressarão a pagar, pois ninguém quer passar por tolo.
- Declaro-o isento do imposto - retrucou-lhe o ministro.

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Voltaire - Livro Micromégas

CAPÍTULO PRIMEIRO

Viagem de um habitante da estrela Sírio ao planeta Saturno

Num desses planetas que giram em torno da estrela chamada Sírio, havia um jovem de muito espírito
a quem tive a honra de conhecer durante a última viagem que fez a este nosso pequeno formigueiro:
chamava-se Micrômegas, nome bastante adequado a todos os grandes. Tinha oito léguas de altura:
entendo, por oito léguas, vinte e quatro mil passos geométricos de cinco pés cada um.

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Voltaire - Livro Dicionário Filosófico

ANJO

Enviado em grego. Baldio será acrescentar que os persas tinham peris, os hebreu malakhs, os gregos
seus daimones. Mas talvez nos aclare saber que uma das primeiras idéias do homem foi interpor seres
intermediários entre a Divindade e nós.
São os demônios, os gênios ideados pela antigüidade. O homem sempre criou os deuses à sua imagem. Viam-se os príncipes transmitir suas ordens por mensageiros:
então a Divindade também tinha seus correios. Mercúrio, Isis, eram mensageiros, arautos.

Os hebreus - povo conduzido pela própria Divindade - a princípio não deram nomes aos anjos que por
fim Deus condescendia em enviar-lhes. Tomaram de empréstimo os nomes que lhes davam os caldeus,
quando a nação judaica esteve cativa em Babilônia. Miguel e Gabriel são referidos pela primeira vez por
Daniel, escravo entre aqueles povos.
O judeu Tobias, que vivia em Nínive, conheceu o anjo Rafael, que
viajou com seu filho para ajudá-lo a reaver certa soma que lhe devia o judeu Gabael.


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Voltaire - Livro As Cartas De Amabed

O Papa não escapou:


Esse Deus na terra chama-se Leão, décimo do nome. É um belo homem de trinta e quatro
a trinta e cinco anos, e muito amável; as mulheres estão loucas por ele. 
Achava-se atacado de um mal imundo, que só é bem conhecido na Europa, mas que os portugueses começam a introduzir no Indostão. 
Julgavam que disso morreria, e foi por isso mesmo que o elegeram, a fim de que o sublime posto ficasse logo vago; mas curou-se, e zomba daqueles que o nomearam. 
Nada mais magnífico do que a sua coroação, na qual gastou ele cinco milhões de rúpias, para prover às necessidades de seu Deus, que foi tão pobre! 
Não pude escrever-te na agitação das festas; sucederam-se tão rapidamente, tive de assistir a tantas diversões, que não sobrou um momento de lazer.




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Voltaire - Livro A Alma

Alma


I

É um termo vago, indeterminado, que expressa um princípio desconhecido, porém
de efeitos conhecidos que sentimos em nós mesmos. A palavra alma corresponde
à animu dos latinos, à palavra que usam todas as nações para expressar o que
não compreendem mais que nós. No sentido próprio e literal do latim e das línguas
que dele derivam, significa “ o que anima”. Por isso se diz: A alma dos homens,
dos animais e das plantas, para significar seu princípio de vegetação e de vida.
Ao pronunciar esta palavra, só nos dá uma idéia confusa, como quando se diz no
Gênesis: «Deus soprou no rosto do homem um sopro de vida, e se converteu em
alma vivente, a alma dos animais está no sangue, não mateis, pois, sua alma.»



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